
As canetas emagrecedoras ganharam espaço no tratamento da obesidade e do diabetes, mas seus efeitos vão além da perda de peso. Segundo o cardiologista Jeferson Wollmeister, da Clinicor, medicamentos à base de semaglutida e tirzepatida também apresentam benefícios importantes para o coração e para todo o sistema circulatório, contribuindo para reduzir fatores associados ao infarto e ao Acidente Vascular Cerebral (AVC).
De acordo com o especialista, essas substâncias representam uma mudança significativa na medicina porque foram as primeiras medicações voltadas à redução do peso que também demonstraram benefícios cardiovasculares consistentes.
“Até então, nunca existiu uma medicação que pudesse ser usada para baixar o peso e que, ao mesmo tempo, trouxesse benefícios reais para o coração. Essas são as primeiras que apresentam melhora na sobrevida, na qualidade de vida e redução das internações”, explicou Wollmeister.
Inicialmente desenvolvidas para o controle do diabetes, as canetas passaram a ser amplamente utilizadas no enfrentamento da obesidade após os estudos apontarem resultados expressivos na perda de peso. Conforme o cardiologista, a redução da gordura corporal favorece o controle da pressão arterial, da glicemia, do colesterol e da gordura abdominal, considerados alguns dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares.
“Essas alterações são pilares para a ocorrência do infarto e do AVC. Quando conseguimos controlá-las, reduzimos consideravelmente a possibilidade de esses problemas acontecerem”, afirmou.
O cardiologista ressaltou, porém, que os resultados positivos não tornam o uso indiscriminado seguro. Como qualquer medicamento, as canetas podem provocar efeitos adversos e precisam ser administradas de acordo com as necessidades de cada paciente. Antes de iniciar o tratamento, é necessário definir objetivos, dosagem, período de utilização e a estratégia para a retirada do medicamento.
Wollmeister relatou que, em determinados casos, indica o tratamento para pacientes obesos que já apresentam doenças cardíacas, hipertensão ou grande dificuldade para emagrecer. Nem sempre, entretanto, a meta é uma redução acentuada do peso. A perda de cinco ou dez quilos, por exemplo, pode ser suficiente para melhorar as condições clínicas, facilitar o controle da pressão e permitir ajustes em outras medicações.
O especialista também chamou a atenção para os riscos da perda excessiva de peso. Uma pessoa que precisa eliminar dez quilos, mas perde 20, pode apresentar fraqueza e redução significativa da massa muscular. Essa condição, além de comprometer a disposição e a mobilidade, pode aumentar a vulnerabilidade a doenças e infecções.
“As canetas são medicações excelentes, mas precisam de orientação. É necessário saber qual é o objetivo, qual dose utilizar, como aumentar, quando parar e o que fazer se alguma coisa não sair como o esperado”, salientou.
Para Wollmeister, o medicamento pode facilitar a transição para uma alimentação mais equilibrada ao reduzir a fome, mas não substitui a mudança de hábitos. O tratamento deve ser acompanhado de reeducação alimentar e de uma estratégia que permita ao paciente manter os resultados após a suspensão da medicação.
“Não é preciso ter preconceito com essas canetas, porque elas representaram uma revolução. Mas é preciso ter cuidado. Medicação continua sendo medicação, e o tratamento deve ser planejado e acompanhado por um profissional”, concluiu.





















