
Comunicação, escolhas e a disposição para recomeçar marcaram a trajetória compartilhada por Janaína Schiemer durante sua participação no Momento Estrela Guia. Jornalista de formação e atualmente dedicada principalmente à fotografia, ela falou sobre as diferentes fases da carreira, as perdas familiares que mudaram sua forma de enxergar a vida e a decisão de deixar a estabilidade profissional para construir uma rotina mais próxima da família.
Natural de Cruz Alta e moradora de Selbach desde o casamento, Janaína define-se, antes de qualquer profissão específica, como comunicadora e contadora de histórias. “Seja através da fotografia, seja através de uma reportagem, seja através de uma palestra”, afirmou. Para ela, as diferentes atividades desenvolvidas ao longo dos anos possuem um mesmo ponto de encontro: a comunicação.
Formada em Jornalismo pela Unicruz, Janaína já trabalhava na área quando decidiu mudar-se para Selbach. Antes da mudança, porém, tomou uma decisão que posteriormente seria importante em sua caminhada: fez um curso de fotografia. Como ainda conhecia pouco o mercado regional, buscou uma segunda possibilidade profissional caso não encontrasse oportunidades no jornalismo.
Depois do nascimento da filha mais velha, permaneceu alguns meses dedicada à maternidade. Na sequência, surgiu uma oportunidade em uma emissora de rádio de Ibirubá e, posteriormente, na área de assessoria de comunicação. Foi nesse período que a fotografia começou a ganhar espaço.
O primeiro trabalho surgiu a partir de uma demanda profissional e foi realizado com uma câmera emprestada. A experiência abriu novas portas. Janaína adquiriu seu próprio equipamento e passou a conciliar o jornalismo com trabalhos fotográficos.
Na comunicação, construiu uma trajetória que incluiu passagens pela administração pública e por uma cooperativa agrícola, onde permaneceu durante cinco anos como coordenadora de comunicação. A fotografia continuava paralelamente, principalmente nos finais de semana e fora do horário profissional.
A mudança mais profunda aconteceu depois de experiências pessoais dolorosas. Janaína perdeu a mãe quando tinha 24 anos. A mãe tinha apenas 42. Em 2018, a família enfrentou uma nova perda, quando uma tia faleceu aos 57 anos, também vítima de infarto.
Os acontecimentos provocaram uma reflexão sobre prioridades. Mesmo ocupando uma posição profissional que considerava excelente, Janaína começou a questionar quanto da vida estava conseguindo aproveitar ao lado das pessoas que amava.
“Eu não queria partir daqui desse mundo sem antes ter aproveitado e vivido tudo que eu conquistei, a minha família, a minha casa”, contou.
Foi então que pediu desligamento da cooperativa e decidiu viver profissionalmente da fotografia. Sete anos depois da mudança, mantém a atividade como principal fonte de trabalho, embora continue realizando projetos ligados à comunicação, palestras, apresentação de eventos e outras iniciativas.
A fotografia de famílias e, especialmente, de recém-nascidos tornou-se uma das áreas com as quais mais se identificou. Janaína explicou que o trabalho com bebês ultrapassa a produção de uma boa imagem. Durante um ensaio, existe também um espaço de escuta e acolhimento às famílias.
“Quando nasce um bebezinho, nasce uma mãe, nascem muitas dúvidas, muitas culpas, incertezas, inseguranças”, observou. Para ela, fotografar esse momento exige técnica, estudo, paciência e sensibilidade para compreender a fase vivida pela família.
Essa visão também aparece na maneira como trabalha com crianças e famílias. Mais do que poses perfeitas, Janaína procura registrar interações, expressões e situações capazes de devolver, anos depois, as lembranças daquele período.
A mudança profissional também trouxe outro desafio: empreender praticamente sozinha depois de anos trabalhando dentro de equipes. Janaína chamou atenção para um aspecto pouco discutido quando alguém decide ter o próprio negócio: a solidão do empreendedorismo.
Acostumada a dividir ideias e decisões com colegas, passou a ser responsável por praticamente todas as escolhas. Nesse processo, encontrou nas ferramentas de inteligência artificial uma forma de ampliar possibilidades, organizar pensamentos e até submeter ideias a uma visão crítica.
Para Janaína, a tecnologia não substitui o conhecimento profissional. Ao contrário, precisa ser utilizada por quem compreende aquilo que está fazendo.
“Não é feio eu dar uma ideia, escrever um texto e pedir que ele me ajude a melhorar. Agora, feio e sem credibilidade é simplesmente jogar ali e nem conferir se o que está escrito está correto”, avaliou.
Atualmente, a organização do trabalho também reflete a escolha feita anos atrás. Janaína possui estúdio e escritório, mas atende com horário marcado. Parte do início da semana é reservada à organização da casa e da rotina familiar, enquanto os demais dias são distribuídos entre ensaios, edição, atendimento aos clientes e entregas.
A decisão permite acompanhar mais de perto as duas filhas, hoje adolescentes, com 14 e 16 anos. Janaína reconhece que essa possibilidade também está ligada à parceria construída com o marido e ao suporte familiar que recebeu para realizar a transição profissional.
Ela não trata, porém, a fotografia como um caminho sem volta. Embora seja atualmente sua principal atividade, mantém aberta a possibilidade de retornar a outras áreas da comunicação caso, em algum momento, isso volte a fazer sentido.
“Eu não sou muito apegada. Se estou bem com a fotografia, vou ficar. Se eu achar que tem uma oportunidade em outro lugar, eu vou para essa outra oportunidade também. E, se precisar retroceder, a gente volta também, recomeça”, afirmou.
O mesmo pensamento aparece quando Janaína fala aos jovens que consideram seguir carreira no jornalismo. Apesar das transformações da profissão, da velocidade das redes sociais e do desafio imposto pela circulação de informações falsas, ela continua acreditando na área.
“Eu gosto muito da fotografia, mas eu amo jornalismo também. Então, todas as portas estão sempre abertas”, afirmou.
Na avaliação de Janaína, o jornalismo oferece hoje diferentes possibilidades, que vão muito além de estar diante de um microfone ou de uma câmera. Há espaço para quem escreve, edita, coordena equipes, produz conteúdo ou encontra novas maneiras de utilizar a comunicação.
Para ela, nenhuma trajetória precisa seguir uma linha definitiva. Experimentar, mudar de direção e até voltar atrás fazem parte do processo de descobrir aquilo que realmente combina com cada pessoa.
“Eu sempre sou da opinião que eu preciso testar. Se não dá certo, eu vou retroceder, mas me arrepender do que eu fiz, não do que eu deixei de fazer”, resumiu.
A própria fotografia demonstrou isso. Mesmo estabelecida em Selbach, um município pequeno, Janaína conseguiu construir uma clientela regional. Hoje recebe pessoas de diferentes cidades, entre elas Tapera, Espumoso, Não-Me-Toque, Victor Graeff e Cruz Alta. Para ela, a proximidade entre os municípios transforma a região em um mercado integrado e permite que um trabalho especializado alcance público muito além dos limites da cidade onde está instalado.
Ao olhar para a própria história, Janaína não separa completamente a jornalista, a fotógrafa, a empreendedora e a mãe. São diferentes momentos de uma trajetória construída justamente pela capacidade de fazer escolhas e aceitar que elas podem mudar.
Entre a segurança de uma carreira consolidada e o desejo de acompanhar mais de perto a família, escolheu reorganizar a vida. Entre abandonar definitivamente o jornalismo ou permanecer presa a uma única profissão, preferiu continuar comunicadora. E entre esperar pela certeza absoluta ou experimentar novos caminhos, adotou o recomeço como possibilidade.
“Vão com cuidado, mas vão sem medo”, deixou como mensagem. Para Janaína, acreditar nas próprias escolhas, agir de boa-fé e colocar propósito no que se faz continua sendo a melhor maneira de enfrentar as mudanças que aparecem ao longo da caminhada.





















