
História de dedicação ao Hospital Annes Dias, aos pacientes e à comunidade transformou a profissional em referência de cuidado humano em Ibirubá
A escolha do nome de Edite Neuland para a futura casa da Liga Feminina de Combate ao Câncer, em Ibirubá, trouxe à tona lembranças emocionantes da mulher que transformou o cuidado com as pessoas em missão de vida. Durante entrevista, os filhos Marta e Antônio Augusto Neuland, o Mano, falaram sobre a trajetória da mãe, marcada pela simplicidade, pela dedicação à enfermagem e pelo acolhimento com quem precisava de ajuda.
Edite chegou ainda jovem a Ibirubá, vinda de Rincão Seco, e construiu sua vida no bairro Planalto. Após perder o marido muito cedo, precisou criar os filhos praticamente sozinha. Foi no Hospital Annes Dias que iniciou sua caminhada profissional, primeiro trabalhando na cozinha e depois atuando na enfermagem, área pela qual, segundo os filhos, desenvolveu verdadeira paixão.
“Ela era apaixonada pelo que fazia. Não tinha horário. Se precisava sair de madrugada para fazer um soro ou aplicar uma injeção, ela ia. Frio, chuva, não importava”, relembrou Mano.
As lembranças dos filhos mostram que a dedicação ultrapassava os corredores do hospital. Mesmo fora do expediente, Edite seguia atendendo pessoas da comunidade, auxiliando idosos e acompanhando enfermos sem cobrar nada pelo serviço prestado.
“Ela sempre dizia que quando a gente faz o bem, não deve esperar nada em troca”, contou Marta. “Era uma pessoa calma, acolhedora e que trazia paz para quem estava perto.”
Segundo Mano, a mãe carregava uma serenidade difícil de encontrar. “Eu queria ter um pouco da calma dela. Ninguém ficava mal perto da mãe. Ela conseguia acalmar as pessoas só com a presença dela.”
Mesmo após a aposentadoria, Edite continuou cuidando de idosos e pessoas debilitadas. Uma das histórias mais marcantes lembradas pela família foi quando ela acolheu uma idosa acamada dentro da própria casa para oferecer cuidados mais próximos. “Ela tratava as pessoas como se fossem da família”, destacou Marta.
A ligação com a igreja e as ações comunitárias também fizeram parte da vida de Edite. Participava de grupos de famílias, ajudava em ações solidárias e produzia xaropes caseiros junto de outras mulheres do bairro para distribuir gratuitamente às pessoas.
Para os filhos, a homenagem emocionou justamente por representar aquilo que mais marcou a vida da mãe. “Nós fomos pegos de surpresa, mas ficamos muito felizes porque a saúde era a vida dela”, afirmou Mano.
Falecida em janeiro de 2021, Edite segue viva na memória da comunidade através das histórias, dos gestos de carinho e do legado de humanidade deixado ao longo de décadas de dedicação silenciosa ao próximo.





















