Ibirubá, 22 de Outubro de 2026
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Rádio Cidade Ibirubá

Proteger crianças é tarefa de toda a comunidade

Psicólogas alertam para a necessidade de fortalecer famílias, ampliar a prevenção e resgatar o compromisso coletivo infância

J

JORNALISTA CRISTIANO LOPES

Proteger crianças é tarefa de toda a comunidade
Créditos: Geanine Correa da Silva e Rúbia Ribas

O trabalho de proteção à infância vai muito além do atendimento de situações de risco. Em Ibirubá, a rede formada por diferentes instituições tem ampliado ações de prevenção, orientação e fortalecimento familiar, buscando construir ambientes mais seguros para crianças e adolescentes.


A proteção de crianças e adolescentes não pode ser uma responsabilidade exclusiva dos pais, das escolas ou dos órgãos públicos. A avaliação é das psicólogas Rúbia Ribas e Geanine Cavalli Corrêa da Silva Estrapação, que defendem o fortalecimento do envolvimento da comunidade como um dos principais caminhos para prevenir situações de violência, negligência e violação de direitos em Ibirubá.
Durante entrevista, as profissionais chamaram atenção para um desafio que vai além da atuação da rede de proteção: a perda do senso coletivo de responsabilidade sobre a infância.
“Parece que cada vez mais ficamos direcionados para a ideia de que o filho é responsabilidade apenas da família. Antigamente existia mais esse olhar de cuidado coletivo. Hoje isso está se perdendo”, afirmou Rúbia.
Segundo ela, a rede de proteção trabalha justamente para reconstruir esse compromisso por meio da integração entre educação, assistência social, saúde, Conselho Tutelar, Brigada Militar, Polícia Civil, Ministério Público e Poder Judiciário.
O município mantém ações permanentes de orientação, acompanhamento e capacitação, especialmente junto às escolas. Nos últimos meses, profissionais da educação vêm participando de formações voltadas à identificação de sinais que podem indicar situações de vulnerabilidade ou necessidade de acompanhamento.
Para Geanine, os professores desempenham papel estratégico por estarem diariamente em contato com crianças e adolescentes. “Muitas vezes quem percebe que algo não está bem são as pessoas que convivem com a criança fora do ambiente familiar”, explicou.
As psicólogas destacaram ainda que a prevenção começa dentro de casa. O fortalecimento dos vínculos familiares, o diálogo e a presença dos pais na rotina dos filhos foram apontados como fatores essenciais para a construção de ambientes seguros.
Outro tema que gerou preocupação durante a entrevista foi o uso excessivo de telas e a exposição precoce de crianças e adolescentes ao ambiente digital. Geanine observou que muitos pais acabam transferindo para os celulares e dispositivos eletrônicos um papel que deveria ser ocupado pela convivência familiar.
“Criança precisa brincar, conversar, conviver e até ter momentos de tédio. O uso das telas exige acompanhamento e limites”, alertou.
Rúbia também defendeu que a orientação sobre respeito ao próprio corpo, limites e autocuidado seja trabalhada desde os primeiros anos de vida, de maneira adequada para cada faixa etária. Segundo ela, preparar as crianças para reconhecer situações desconfortáveis e buscar ajuda é uma forma importante de proteção.
Ao final da entrevista, as profissionais reforçaram que a rede de proteção existe para acolher, orientar e encaminhar situações que demandem acompanhamento, mas destacaram que nenhuma estrutura institucional substitui o olhar atento da comunidade.
“Precisamos entender que todas as crianças são responsabilidade de todos nós. Quando cada adulto assume esse compromisso, toda a comunidade se torna mais segura”, concluiu Rúbia.

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