Rádio Cidade Ibirubá
Cotribá tem 90% do patrimônio comprometido e projeta prejuízo de R$ 164 milhões
Após decisão unânime de 375 associados reunidos em assembleia, Sérgio Strentzke assume como liquidante. Nova administração terá de negociar dívidas, reorganizar operações e apresentar um plano de pagamento aos credores.

A Cotribá inicia seu processo de liquidação extrajudicial com continuidade das operações diante de um quadro financeiro que combina patrimônio expressivo, elevado comprometimento de ativos e projeção de novas perdas. Na primeira entrevista coletiva após a Assembleia Geral Extraordinária de terça-feira (20), a direção informou que aproximadamente 90% dos bens da cooperativa, avaliados em R$ 800 milhões, estão vinculados a garantias financeiras ou medidas judiciais. Também foi apresentada uma projeção de prejuízo de R$ 164 milhões para 2026.
Em comunicado oficial, a cooperativa confirmou que 375 associados participaram da assembleia, realizada na terça-feira (20), na sede da Asfuca, em Ibirubá. A proposta de liquidação extrajudicial com continuidade das operações foi aprovada por unanimidade. A reunião também elegeu Sérgio Strentzke para a função de liquidante e definiu a composição do Conselho Fiscal.
Os conselheiros titulares são Paulo Rogério Prediger, Márcio Ribamar Garmatz e Ingo Ahlert. Como suplentes, foram eleitos Soraia Farias dos Santos Rebelato, Nedson Luiz Floss e Marcos Leandro Kogler.
Na coletiva realizada na manhã de hoje, na sede da Cotribá, Sérgio afirmou que a aprovação representa uma oportunidade de reorganização, mas não elimina as dificuldades financeiras acumuladas.
Patrimônio comprometido limita capacidade de negociação
Segundo a assessoria jurídica, a cooperativa possui patrimônio estimado em R$ 800 milhões, mas cerca de 90% está comprometido com alienações fiduciárias, hipotecas e penhoras judiciais.
A situação reduz a disponibilidade de bens que poderiam ser utilizados livremente para enfrentar o endividamento. A administração pretende negociar com bancos, fundos de investimento e outros credores para buscar condições que diminuam o impacto financeiro sobre a instituição.
A direção também informou faturamento de R$ 313 milhões no período apresentado e projeção de prejuízo de R$ 164 milhões no exercício de 2026.
Esse resultado merece atenção porque corresponde a um ano em que a Cotribá também esteve sob responsabilidade da administração que antecedeu a liquidação. A coletiva não apresentou uma discriminação das perdas capaz de separar os efeitos de compromissos herdados daqueles produzidos pelas operações e decisões administrativas mais recentes.
A distinção é especialmente relevante diante das críticas dirigidas por Sérgio Strentzke às antigas gestões.
Plano de pagamento ainda será elaborado
Apesar da decisão dos associados, a Cotribá ainda não dispõe de um cronograma definido para quitar suas obrigações.
“Nós só podemos pagar aquilo que a gente consegue movimentar”, afirmou Sérgio, ao explicar que o planejamento dependerá da capacidade de geração de receitas e dos acordos que forem alcançados.
A direção pretende intensificar a cobrança de valores devidos à cooperativa, recuperar relações comerciais e buscar alternativas para ampliar o faturamento. Entre as prioridades estão a comercialização de grãos e insumos e a retomada da fábrica de rações.
Questionado sobre os valores mantidos por credores e sobre a situação dos trabalhadores, o liquidante evitou estabelecer garantias. Admitiu que poderão ocorrer ajustes operacionais, inclusive em unidades comerciais, conforme a capacidade financeira da instituição.
Conselho Fiscal acompanhará a administração
Sérgio afirmou que as decisões não serão tomadas isoladamente.
“Não me deram um cheque em branco para eu fazer o que eu quiser”, declarou.
O liquidante anunciou que pretende manter a participação da equipe técnica nas decisões e trabalhar com acompanhamento próximo dos conselheiros fiscais.
A direção também informou que buscará contratar uma auditoria externa independente, criar um portal de transparência e realizar assembleias semestrais de prestação de contas.
Investigações sobre gestões anteriores
Durante a coletiva, Sérgio afirmou que uma consultoria realizada em 2020 já havia recomendado mudanças na administração, mas que as orientações teriam sido desconsideradas.
“Essa sugestão de mudança de gestão foi literalmente rasgada pela antiga gestão”, declarou.
O liquidante anunciou a intenção de aprofundar as investigações sobre possíveis irregularidades e encaminhar eventuais elementos aos órgãos competentes. O relatório citado e as conclusões das apurações não foram apresentados à imprensa durante o encontro.
A cooperativa também informou que está adotando providências para o registro e a publicação dos atos relativos à liquidação, enquanto conduz as medidas necessárias à reestruturação das atividades.
O objetivo anunciado é manter a Cotribá em funcionamento e, futuramente, buscar condições para encerrar o regime de liquidação. Entretanto, a própria administração reconhece que não há prazo ou garantia para alcançar esse resultado.
A decisão unânime dos associados definiu o caminho institucional. A recuperação financeira, por sua vez, dependerá da capacidade de transformar esse novo modelo em resultados concretos.






