Rádio Cidade Ibirubá
Baixa cobertura vacinal em Ibirubá preocupa profissionais de saúde
Desinformação compromete vacinação infantil e acende alerta para doenças no município

Doenças que durante décadas foram combatidas pela ciência e pela vacinação voltaram a representar uma ameaça, enquanto uma parcela da população passou a desconfiar justamente dos imunizantes responsáveis por salvar milhões de vidas. Em Ibirubá, os reflexos dessa contradição aparecem nos indicadores de saúde: a cobertura de algumas vacinas permanece entre 73% e 78%, distante das metas necessárias para garantir uma proteção coletiva adequada. Por trás dos números, profissionais enfrentam uma batalha que ultrapassa as salas de vacinação: combater o medo, o negacionismo e a desinformação.
A coordenadora da Atenção Básica de Saúde, Amanda Webber, reconheceu a preocupação com os resultados. “Infelizmente, a gente não está com um percentual que nós gostaríamos de vacinação”, afirmou. Segundo ela, o município busca superar os 85% de cobertura, embora determinadas vacinas tenham metas nacionais de até 95%.
O problema ganhou força durante a pandemia de Covid-19, quando informações falsas e discursos contrários à imunização passaram a influenciar o comportamento de parte das famílias. A desconfiança não ficou restrita às vacinas desenvolvidas naquele período e acabou atingindo imunizantes tradicionais do calendário infantil.
“A gente hoje tem muita dificuldade, medo, muitas notícias falsas por aí”, relatou Amanda. Segundo a coordenadora, a situação também preocupa profissionais de outros municípios. “Todos os vacinadores trazem essa questão dessa dificuldade, que se gerou a partir da vacina da Covid. Começou ali e acabou respingando nas outras vacinas.”
As consequências ultrapassam decisões individuais. A redução da cobertura favorece a circulação de doenças como sarampo e coqueluche, citadas pelas profissionais como exemplos de enfermidades que voltaram a exigir vigilância. Recém-nascidos, gestantes, idosos e pessoas com maior vulnerabilidade estão entre os grupos mais expostos às complicações.
Com 15 anos de atuação na Secretaria Municipal de Saúde, a técnica em enfermagem e vacinadora Júlia Amaro destacou que a imunização não elimina necessariamente a possibilidade de infecção, mas representa uma proteção fundamental contra quadros graves. “Fazer a vacina não quer dizer que você não vá pegar. Isso é importante ficar claro”, explicou.
Para reverter o cenário, a Secretaria de Saúde ampliou as mobilizações além das campanhas nacionais. Neste sábado, 17 de outubro, as unidades Postão, Jardim, Hermany e Floresta atenderão das 8h às 16h, sem fechar ao meio-dia, priorizando crianças e adolescentes com vacinas atrasadas e a emissão de atestados escolares.
A preocupação, entretanto, vai além de cumprir o calendário. Trata-se de preservar conquistas sanitárias construídas ao longo de gerações. Como resumiu Júlia: “A vacina é um direito da criança e é um dever dos pais.”






