21 de Agosto, 2026 08h08mSaúde Ibirubá por JORNALISTA CRISTIANO LOPES

Caso de medicamento provoca divergência entre secretário de Saúde e vereador

Após ser acusado de mentir pelo secretário Rogério Oliveira, Canja contesta a versão apresentada

Rogério Oliveira contestou manifestação feita por Canja na Câmara; vereador respondeu à Rádio Cidade, negou ter concordado com os encaminhamentos adotados e reconheceu que não há elementos para relacionar a falta da medicação ao falecimento da paciente.

A condução de um caso envolvendo uma paciente que buscava acesso a um medicamento provocou uma divergência pública entre o secretário municipal de Saúde de Ibirubá, Rogério Oliveira, e o vereador André Ferreira, o Canja (PP). Após o secretário contestar declarações feitas pelo parlamentar na Câmara e afirmar que ele teria mentido sobre o episódio, Canja procurou a Rádio Cidade para apresentar sua versão.

A manifestação ocorreu durante uma entrevista ao Jornal da Cidade, na terça-feira, 18 de agosto. Na semana anterior, Oliveira havia participado do Cidade News e respondido às críticas feitas pelo vereador na tribuna. Conforme a declaração do secretário retomada na entrevista, Canja teria saído de uma reunião na Defensoria Pública ciente e de acordo com o encaminhamento jurídico adotado. O vereador também rebateu a alegação de que estaria tentando obter promoção política com o sofrimento da família. “Quando ele afirma que eu menti ou que o vereador quer se promover por causa da dor da família, aí ele não está sendo correto.”

Segundo o vereador, familiares da paciente o procuraram em sua residência cerca de dois meses antes para pedir auxílio na obtenção do medicamento.
Ele relatou que entrou em contato com a prefeita e, posteriormente, participou de uma reunião na Defensoria Pública com representantes do Município, o secretário e a família.

Conforme Canja, a solicitação havia sido encaminhada ao Estado e enfrentava um impasse. Durante a reunião, discutiu-se a apresentação de uma nova documentação médica e a tentativa de revisão da decisão. O vereador sustenta que também sugeriu procurar o Ministério Público para avaliar outra alternativa.
“Coloquei a ideia dentro da sala de reunião para todos”, disse. Segundo ele, a intenção era verificar se haveria alguma medida que desse respaldo para o Município adquirir a medicação enquanto prosseguia a discussão sobre a responsabilidade pelo fornecimento.
Esse é um dos principais pontos da divergência. Enquanto Rogério afirmou que o parlamentar deixou a reunião convencido de que o procedimento discutido era o caminho a ser seguido naquele momento, Canja sustenta que não concordou integralmente com a solução.
O vereador reconheceu, porém, que não procurou posteriormente o Ministério Público por iniciativa própria. “De repente, eu poderia ter agido sozinho”, admitiu, acrescentando que aguardou o procedimento definido para tentar reverter a negativa.

Vereador afasta relação entre falta do medicamento e morte da paciente

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Questionado se possuía elementos técnicos para afirmar que a continuidade do medicamento poderia ter alterado o quadro clínico, Canja disse não ter condições de fazer essa avaliação.
“Eu não sou médico. Eu não consigo dar essa opinião”, afirmou. Perguntado diretamente se relacionava o falecimento à falta da medicação, respondeu: “Não, não dá para relacionar.”

A declaração delimita um aspecto importante do caso: a partir das informações apresentadas na entrevista, não há base técnica para afirmar que a ausência do medicamento provocou o falecimento ou que seu fornecimento teria evitado o óbito.
Canja, contudo, defendeu que outras alternativas poderiam ter sido buscadas enquanto a família aguardava uma solução e avaliou que situações semelhantes precisam ser discutidas entre Município, Estado e União.

A divergência também avançou para o campo político. Canja disse considerar que a relação com o secretário estaria adquirindo caráter pessoal, embora reconheça o direito da Secretaria de apresentar argumentos técnicos e jurídicos.
Informado de que Rogério havia mencionado possíveis consequências decorrentes de suas declarações, o vereador disse desconhecer se haveria alguma medida judicial.

“Eu, no meu papel de vereador, quando falo, falo como vereador. Eu cobro melhorias para a nossa comunidade”, declarou.

Canja também afirmou que não pretende pedir retratação. “Não vou pedir nada porque é uma opinião dele. Eu tenho que respeitar, mas, assim como eu, ele também precisa respeitar a minha opinião. São posições diferentes.”
Para o parlamentar, o principal ponto de discordância permanece sendo a afirmação de que teria mentido. “Eles têm todo o direito de contrapor e trazer o lado jurídico. Eu entendo que nós poderíamos trabalhar em conjunto e resolver essa situação, mas não foi esse o entendimento”, concluiu.

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