
Feira do Livro de Ibirubá será realizada nos dias 20, 21 e 22 de agosto, com programação para estudantes e comunidade, enquanto uma caravana levará atividades às escolas de Educação Infantil.
A 7ª Feira do Livro de Ibirubá (FELIBI) terá dois nomes ligados à produção literária e à valorização da identidade regional no centro de sua programação. O escritor e bibliotecário Jorge Gonçalves Ferreira será o patrono desta edição, enquanto Cristiele Aline Kuhn Terhorst receberá o reconhecimento de escritora homenageada. Mais do que distinções individuais, as escolhas aproximam a feira de temas como memória, patrimônio, tradicionalismo e formação de leitores.
Natural de Selbach e residente em Ibirubá há 23 anos, Cristiele recebeu a homenagem com emoção. Sua caminhada como escritora nasceu da experiência no Movimento Tradicionalista Gaúcho e avançou por meio da pesquisa acadêmica.
A trajetória de Cristiele dentro do tradicionalismo começou ainda jovem. Ela foi prenda mirim, juvenil e adulta do CTG Estância do Imigrante, de Selbach, representou a 9ª Região Tradicionalista e conquistou o título de terceira prenda do Rio Grande do Sul. A preparação para os concursos exigia estudos sobre história e cultura gaúcha, mas também despertou questionamentos que a levaram a aprofundar determinados assuntos.
Um deles foi a maneira como os povos indígenas apareciam nos estudos relacionados ao tradicionalismo. A partir de uma especialização em Educação, Diversidade e Cultura Indígena, Cristiele escreveu O olhar do Movimento Tradicionalista Gaúcho sobre os povos indígenas do Rio Grande do Sul.
“Percebi uma lacuna na questão dos povos indígenas, que precisavam ser revisitados pelo movimento. Era necessário mostrar a realidade atual, a organização das comunidades, a vida em suas terras e a luta pela preservação da cultura”, explicou.
Mais tarde, durante o mestrado em História, Cristiele pesquisou a inserção do tradicionalismo gaúcho em uma comunidade marcada pela colonização alemã. A dissertação transformou-se no livro O sotaque alemão no regionalismo rio-grandense: história e práticas, no qual recupera aspectos da formação de Selbach e analisa como a identidade gaúcha passou a integrar a vida cultural do município.
Durante a FELIBI, a escritora homenageada estará ao lado do patrono na recepção ao público e participará de sessões de autógrafos.
Para Jorge Gonçalves Ferreira, a escolha como patrono representa o ponto mais elevado de sua trajetória literária. Diretor da Biblioteca Pública Municipal, ele participa da organização da FELIBI desde o surgimento do evento, em 2015, e mantém uma atuação voltada à pesquisa histórica, à preservação do patrimônio e à formação de leitores.
“Para um escritor, ser escolhido patrono é o auge. Quando escrevemos, colocamos no papel ideias e pensamentos. No meu caso, gosto de trabalhar com biografias e histórias de comunidades. É um reconhecimento pessoal que levarei para o resto da vida”, destacou.
Jorge define o patrono como o anfitrião da feira: aquele que recebe os visitantes, apresenta os espaços e estabelece a ligação entre livros, autores e leitores. Neste ano, embora não lance uma obra durante a FELIBI, ele prepara três trabalhos para a Feira do Livro de Porto Alegre. Entre eles está um livro baseado em sua coluna Conhecer sua cidade é conhecer a sua história, abordando os 128 anos de Ibirubá desde a formação da antiga colônia.
A publicação deverá unir história e educação patrimonial, com ilustrações de prédios históricos para as crianças pintarem. “Ibirubá não nasceu município. Nasceu como colônia, em 1898. Queremos trabalhar essa história e, ao mesmo tempo, aproximar as crianças do patrimônio cultural”, explicou.
Ao assumir o posto de patrono, Jorge também reforça uma defesa constante em sua atuação: a leitura precisa ser construída pelo exemplo e pela repetição. “A leitura, como tudo na vida, é uma questão de hábito. E o hábito se cria quando repetimos. Se os pais pegarem um livro, tiverem um horário para ler e deixarem obras disponíveis para as crianças, elas começarão a tomar gosto pela leitura”, afirmou.
O patrono e a escritora homenageada foram indicações da Academia Ibirubense de Letras (AIL), que existe desde 2022 no município e reúne cerca de 30 acadêmicos, efetivos e correspondentes.






















