24 de Julho, 2026 09h07mESPECIAL COLONO E MOTORISTA por Jardel Schemmer- Repórter Rádio Cidade 104.9

Rosângela Castelli mostra a realidade do campo sem romantização e inspira nova geração de agricultores

A rotina de quem vive da produção de leite exige muito mais do que acordar cedo e trabalhar na propriedade. Exige renúncias, decisões difíceis, investimento constante, capacidade de adaptação e, acima de tudo, paixão pelo que faz.

A rotina de quem vive da produção de leite exige muito mais do que acordar cedo e trabalhar na propriedade. Exige renúncias, decisões difíceis, investimento constante, capacidade de adaptação e, acima de tudo, paixão pelo que faz. É essa realidade, longe da imagem romantizada que muitas vezes circula nas redes sociais, que a agricultora Rosângela Castelli compartilha em um bate-papo no programa Momento Estrela Guia, da Rádio Cidade Ibirubá 104.9 FM.
Natural da comunidade de São Pascoal, no interior de Selbach, Rosângela nasceu em uma pequena propriedade rural e cresceu acompanhando a dedicação dos pais na agricultura. Desde criança assumiu responsabilidades dentro de casa enquanto os pais trabalhavam na lavoura, experiência que moldou sua disciplina e seu senso de compromisso. O sonho de seguir a carreira de professora acabou ficando para trás quando escolheu outro caminho ao lado do marido, Adelir Castelli, iniciando uma nova trajetória ligada à produção leiteira.
"Quando eu casei, não sabia praticamente nada da atividade do leite. Aprendi tudo depois, desde tirar leite com ordenhadeira até administrar toda a parte técnica do rebanho", recorda.
Hoje, ao lado da família, administra uma propriedade referência em tecnologia na produção leiteira. A evolução do sistema, que passou do manejo tradicional para o confinamento e a ordenha robotizada, trouxe mais eficiência, mas também elevou significativamente os custos da atividade.
"A tecnologia facilitou muito o trabalho braçal, mas aumentou nossa responsabilidade. Hoje acompanhamos cada vaca pelo computador e precisamos tomar decisões rápidas para manter a qualidade do leite e o bem-estar dos animais", explica.
Além da administração do rebanho, Rosângela tornou-se uma das vozes mais conhecidas do agro nas redes sociais. Com aproximadamente 25 mil seguidores no Facebook, conquistou espaço mostrando o cotidiano da propriedade, compartilhando desafios, dificuldades e reflexões sobre a realidade enfrentada pelos produtores rurais.
"Sempre tive medo das críticas, mas percebi que mostrar a realidade ajuda outras pessoas a entenderem como realmente é a vida no campo", afirma.
Durante a conversa, ela também falou sobre as dificuldades enfrentadas pelo setor leiteiro nos últimos anos, especialmente diante da queda no preço pago ao produtor e do aumento dos custos de produção.
"Hoje muitos produtores continuam na atividade muito mais por amor à profissão do que pelo retorno financeiro. Não falta gestão. O problema é produzir um litro de leite por um custo maior do que aquilo que se recebe na venda."
A agricultora também destacou que o produtor rural depende de uma engrenagem que envolve diversos setores da economia.
"Não existe campo sem cidade e nem cidade sem campo. Nós precisamos uns dos outros. Produzir alimentos é um trabalho coletivo e cada elo dessa cadeia é importante."
Rosângela ainda relembrou que sua transformação pessoal começou quando precisou vencer a timidez para integrar o Comitê da Mulher Cotrisoja. Incentivada pelo marido, fez cursos de oratória, tirou carteira de motorista e passou a participar de reuniões e lideranças do setor, descobrindo uma capacidade que ela própria desconhecia.
"Eu era extremamente tímida e tinha medo de falar em público. Hoje vejo que a gente sempre pode ser muito mais do que imagina."
Além da atuação dentro da propriedade, ela participa de movimentos em defesa da cadeia leiteira, acompanha debates sobre políticas públicas e busca contribuir para a valorização dos produtores.
Ao final da entrevista, deixou uma mensagem especialmente aos agricultores e aos jovens que sonham permanecer no campo.
"A gente precisa continuar acreditando que dias melhores virão. Quem escolhe viver no agro precisa ter coragem, dedicação e persistência. As frustrações fazem parte da caminhada, mas elas também ensinam. Juntem as pedras do caminho e construam o próprio trilho. Quando a gente trabalha com amor e propósito, sempre encontra forças para seguir em frente."

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