Existem comunidades que vão muito além do mapa. Elas ajudam a explicar a formação de um município, preservam costumes herdados dos imigrantes e continuam sendo o ponto de encontro das famílias, mesmo diante das transformações da vida no campo. Em Picada Café, interior de Quinze de Novembro, a Associação Cultural e Esportiva Progresso representa esse espírito comunitário. Há 106 anos, a entidade reúne moradores em torno da cultura, do esporte, da amizade e do trabalho voluntário, mantendo viva uma história construída geração após geração.
As raízes dessa trajetória remontam a 1920, quando agricultores que haviam chegado à região decidiram criar a Sociedade de Cantores Progresso. O presidente da Associação Cultural e Esportiva Progresso, Décio Roberto Rauch, explica que a iniciativa surgiu logo depois da implantação da escola da comunidade, em 1918, e tinha um propósito muito claro.
"Os moradores precisavam de um lugar para se reunir, conversar e conviver. A sociedade nasceu justamente para proporcionar esses momentos de integração entre os vizinhos", relata.
Naquele período, o canto coral representava muito mais do que uma atividade cultural. Era um espaço de encontro entre famílias que viviam espalhadas pelas propriedades rurais, fortalecendo laços de amizade, preservando tradições e mantendo viva a identidade dos descendentes de imigrantes que ajudaram a construir a região.
Com o passar das décadas, a comunidade ampliou suas atividades. Primeiro vieram modalidades como o tênis de mesa. Mais tarde, o futebol passou a ocupar um lugar de destaque, acompanhando o crescimento da localidade e reunindo crianças, jovens e adultos em torno do esporte.
"Já naquela época se pensava em ampliar as atividades da comunidade para o esporte. A ideia sempre foi oferecer oportunidades de convivência para as pessoas", recorda Décio.
Na década de 1970 surgiu o Sport Club Ipiranga. Alguns anos depois, dirigentes das duas entidades compreenderam que trabalhavam pelo mesmo ideal e decidiram unir forças. Da integração nasceu a Associação Cultural e Esportiva Progresso, entidade que até hoje concentra em um único espaço as atividades culturais, esportivas e sociais da comunidade e se tornou uma das principais referências de integração no interior de Quinze de Novembro.
Essa união permanece sendo um dos maiores patrimônios da localidade. Enquanto o coral segue preservando uma tradição centenária, o esporte aproxima novas gerações e mantém a comunidade em constante movimento.
Diretor esportivo da Associação Cultural e Esportiva Progresso, Alexandre Petry Guntzel afirma que a missão da entidade vai muito além das disputas esportivas.
"O nosso objetivo nunca foi apenas disputar campeonatos. O esporte aproxima as famílias, incentiva as crianças e faz a comunidade continuar viva", destaca.
Hoje, a Associação Cultural e Esportiva Progresso participa de competições de futsal, futebol de campo, canastra e outras modalidades promovidas pelo município. Grande parte dos atletas é formada por moradores da própria comunidade, fortalecendo o vínculo entre as famílias e estimulando os jovens a permanecerem ligados às suas origens.
Além dos campeonatos, os encontros semanais continuam fazendo parte da rotina da entidade. As quartas-feiras reúnem moradores para treinos, partidas de futebol, conversas e momentos de confraternização que reforçam um costume mantido há décadas.
Aproximadamente 40 voluntários trabalham durante todo o ano na organização das atividades, na manutenção da estrutura e na realização dos eventos que garantem recursos para preservar o patrimônio comunitário e investir em melhorias.
Nos últimos anos, a Associação Cultural e Esportiva Progresso passou por uma importante revitalização de sua sede, oferecendo melhores condições para receber associados e visitantes.
Mais do que preservar um salão, um campo de futebol ou um coral, a Associação Cultural e Esportiva Progresso mantém vivo um modo de vida construído pela cooperação entre vizinhos. Um legado que atravessa gerações e continua encontrando força no trabalho voluntário de quem acredita que o interior também se fortalece por meio da convivência.
Para Décio Roberto Rauch, esse compromisso é compartilhado por todos que ajudam a manter a entidade ativa. "Hoje somos cerca de 40 pessoas trabalhando voluntariamente para que tudo isso continue existindo. Quem puder estar conosco será sempre muito bem recebido. Mais do que participar de um evento, queremos que as pessoas continuem fazendo parte dessa história. Se a gente deixar parar, depois é muito difícil fazer voltar", concluiu.




















