24 de Julho, 2026 09h07mESPECIAL COLONO E MOTORISTA por Jardel Schemmer- Repórter Rádio Cidade 104.9

Da boleia do caminhão aos bastidores dos grandes shows

Quem vê José Pinto do Prado conduzindo artistas entre aeroportos, hotéis e locais de shows dificilmente imagina quantos quilômetros e quantas histórias existem por trás de sua trajetória.

Quem vê José Pinto do Prado conduzindo artistas entre aeroportos, hotéis e locais de shows dificilmente imagina quantos quilômetros e quantas histórias existem por trás de sua trajetória. Antes de se tornar referência no transporte de atrações que passam pela região, Zé Patudo, como é conhecido, construiu uma carreira marcada pelo trabalho, pela persistência e pelo compromisso com a segurança.
A ligação com o trabalho começou cedo. Filho de uma família simples, recorda a infância com orgulho e bom humor. "Sou de Santo Antonio do Bom Retiro, do tempo do rapadura e do melado", diz ao lembrar dos primeiros anos de vida. Ainda jovem, trabalhou como engraxate e logo encontrou nas estradas o caminho que definiria sua profissão.
Durante anos, cruzou o Brasil transportando cargas e enfrentando as dificuldades de uma época em que as viagens eram ainda mais desafiadoras. "Na boleia do caminhão é tu, o radinho e rezar para chegar em segurança no destino e voltar para casa", resume, ao descrever a rotina de quem passava dias longe da família.
As estradas também renderam episódios que permanecem vivos na memória. Um deles aconteceu durante uma fiscalização, quando a esposa, habilitada para dirigir caminhões, precisou assumir o volante. A situação foi resolvida sem maiores problemas, mas se transformou em uma das histórias que ele mais gosta de recordar. "A gente sempre dava um jeito. Era uma época de muito trabalho, mas também de muita parceria", relembra.
Depois de décadas no transporte de cargas, Zé decidiu seguir um novo caminho. Passou pelo transporte de passageiros e, com o tempo, ingressou na logística de eventos. A mudança abriu as portas para uma atividade que exige organização, responsabilidade e discrição: o transporte de artistas.
Hoje, seu trabalho vai muito além de dirigir. É ele quem busca músicos, cantores e integrantes de equipes técnicas, acompanha horários, garante que os deslocamentos ocorram sem atrasos e ajuda para que toda a programação aconteça conforme o planejado. "O artista precisa entrar no carro e ter tranquilidade. Meu trabalho é fazer com que ele chegue bem e no horário", afirma.
A confiança conquistada ao longo dos anos fez com que produtores e organizadores passassem a procurá-lo sempre que grandes atrações chegam à região. Para Zé, o segredo nunca esteve apenas na experiência ao volante. "Pontualidade, respeito e discrição valem tanto quanto dirigir bem. Quem trabalha com artistas precisa entender que faz parte de uma equipe", destaca.
Mesmo depois de milhares de quilômetros percorridos, ele garante que continua sentindo a mesma satisfação ao iniciar uma nova viagem. "A estrada me ensinou muita coisa e ainda continua me ensinando todos os dias", conclui.

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