Rádio Cidade Ibirubá
Fim da escala 6x1 desafia empresas e pode transformar relações de trabalho
Redução da jornada para 40 horas semanais pode melhorar a qualidade de vida, mas exige reorganização dos pequenos negócios e das propriedades rurais.

Advogados Cristiano Metz e Juliane Kloh Metz analisam os impactos da redução da jornada, os custos para pequenos empregadores e os benefícios esperados para a saúde dos trabalhadores.
A perspectiva de trabalhar menos horas por semana, sem redução salarial, representa um avanço para milhões de brasileiros, mas também impõe desafios a quem precisa manter empresas funcionando diariamente. O fim da escala 6x1 e a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais colocam em discussão os custos da mão de obra, a produtividade e a capacidade de adaptação dos diferentes setores econômicos. Para o advogado Cristiano Metz, especialista em Direito Trabalhista Empresarial, com 17 anos de experiência, a mudança exige atenção especial à realidade dos pequenos empregadores.
“O pequeno é regulado, ele passa pelas mesmas regras legais do que o gigante”, observou Metz, ao comparar empresas com milhares de funcionários a estabelecimentos que dependem de apenas um ou dois trabalhadores. Segundo ele, enquanto grandes organizações conseguem distribuir equipes e reorganizar turnos, pequenos comerciantes podem enfrentar dificuldades para manter o atendimento durante toda a semana.
A preocupação se estende às propriedades rurais, especialmente à produção leiteira. A ordenha exige trabalho diário, independentemente de domingos e feriados. Em propriedades que empregam apenas um casal, a reorganização das folgas poderá exigir novas contratações ou mudanças na rotina produtiva.
“A pequena e microempresa tem particularidades que não se suprem com o tamanho”, destacou.
Apesar das preocupações econômicas, Metz reconhece os benefícios da redução da jornada. “Me parece que o aumento do número de folgas semanais, sim, vai reduzir a estafa mental”, afirmou. O advogado acredita que o descanso adicional poderá contribuir para diminuir acidentes de trabalho, problemas emocionais e afastamentos relacionados ao esgotamento profissional.
A transformação tecnológica também integra essa discussão. Ferramentas digitais, automação e inteligência artificial permitem executar atividades em menos tempo, aumentando a produtividade. Para Metz, esse avanço favorece a redução da jornada em determinadas profissões. “Naquelas atividades em que o uso da tecnologia é possível e compatível, sim, me parece que a redução das escalas venha muito bem”, avaliou.
Outro aspecto importante é a negociação coletiva. Conforme o advogado, a participação dos sindicatos será fundamental para estabelecer alternativas que respeitem os direitos dos trabalhadores e considerem as particularidades das empresas. “O sindicato se torna parceiro do empregado e se torna parceiro da empresa também”, afirmou.
A advogada Juliane Metz destacou que a reorganização exige planejamento e conhecimento das obrigações legais. “A gente tem que ser autorresponsável pela nossa empresa, buscar entender como funcionam as normas para não ser surpreendido”, explicou. Entre as medidas necessárias estão a revisão dos contratos, o controle das jornadas e a formalização dos acordos de compensação.
Cristiano também alertou para os riscos de substituir empregados registrados por prestadores de serviços com CNPJ quando permanecem as características de uma relação de emprego. A prática pode resultar no reconhecimento judicial do vínculo e em condenações trabalhistas.
Para o especialista, os impactos econômicos precisam ser considerados, mas não anulam os benefícios esperados.
“Eu acho que sim, que é uma mudança positiva, que ela traz maturidade, que ela vai reduzir a sinistralidade no trabalho, que ela vai trazer mais qualidade de vida para os trabalhadores”, concluiu.






