Rádio Cidade Ibirubá
Margot Karst Daruy: 43 anos ensinando muito além da matemática
Histórias de uma professora apaixonada pela educação, números, alunos e salas de aulas

Entre salas de aula, desafios e conquistas coletivas, a educadora revisita uma trajetória marcada pela defesa da escola pública e encontra nos antigos alunos a maior recompensa de sua profissão.
Há professores que permanecem na memória pelas lições ensinadas. Outros, pela firmeza com que conduziam uma turma. Margot Karst Daruy reúne essas lembranças em uma trajetória de 43 anos dedicados à educação. Aos 75 anos, recebeu em sua casa, em Ibirubá, uma visita surpresa em homenagem ao Dia do Professor, preparada com a cumplicidade do esposo, Ledo Daruy.
A história começou longe das facilidades. Em 1969, Margot trabalhava como balconista na cooperativa. Depois vieram os estudos e as viagens noturnas até Ijuí para cursar a faculdade. Em 1973, iniciou o magistério em Colorado, ensinando matemática. Três anos depois, chegava à Escola General Osório, onde ajudaria a construir muito mais que uma carreira.
“A gente tinha como meta dar condições aos alunos da escola pública, as mesmas condições que tivesse na escola particular. E a gente brigou muito por isso.”
A escola possuía apenas um pavilhão, sem calçamento ou proteção adequada. Com professores, pais e comunidade, vieram campanhas, rifas, bingos, melhorias estruturais e ampliações.
“Foi uma luta, uma luta não só minha, era uma equipe. Gente que vestia a camiseta.”
Acompanhando as transferências profissionais de Ledo, com quem se casou em 1979, Margot também lecionou em Nova Prata, São Luiz Gonzaga e Lajeado. Em cada cidade, deixou amizades e histórias.
Sobre a disciplina, reconhece o próprio temperamento enérgico e as transformações entre gerações. Mas é ao falar dos estudantes que sua voz ganha outro significado.
“O que fica de gratificação é exatamente ver os alunos que nós tivemos realizados. Bons cidadãos, trabalhadores e honestos. Isso é a minha gratificação.”
Ledo, companheiro de tantas mudanças, integra essa história construída também ao lado dos filhos e da neta Martina.
Margot resume seu sentimento com a serenidade de quem reconhece o próprio caminho:
“O melhor da vida é tu poder retornar aos lugares [...] e poder voltar para uma cidade de cabeça erguida.”
Seu legado permanece nas escolas, nas amizades e, sobretudo, nas vidas que ajudou a formar.






