Ibirubá, 21 de Setembro de 2026

Documentário produzido em 2005 mantém viva a memória dos primeiros pomeranos de Ibirubá

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Andrei Grave e Ademir Camargo- Repórter Rádio Cidade e OAJ

Documentário produzido em 2005 mantém viva a memória dos primeiros pomeranos de Ibirubá

“Da Pomerânia a Ibirubá” atravessou duas décadas como registro de personagens, costumes e histórias da antiga Colônia General Osório e ainda desperta emoção entre quem participou da produção e quem reconhece nas imagens parte da própria história

Há produções que ganham importância justamente porque o tempo passa. É o caso do documentário Da Pomerânia a Ibirubá – A Saga de um Povo, realizado em 2005, durante o cinquentenário de emancipação de Ibirubá. Mais de duas décadas depois, as imagens deixaram de representar apenas uma produção comemorativa para se transformar em documento da memória local.

Uma recente publicação recuperando o filme voltou a despertar lembranças. Traudi Schweig, que participou daquele período de produção, resumiu o sentimento provocado pelas imagens: “Que lindo resgate. Histórias que merecem ser eternizadas.”

A manifestação ajuda a explicar por que o documentário continua causando impacto. Para quem conheceu seus personagens, estão ali rostos, vozes, casas e histórias de uma Ibirubá que permanece na memória. Para quem nunca assistiu, o filme oferece a possibilidade de conhecer personagens que já não poderiam ser entrevistados novamente.

O documentário tem 39 minutos e foi dirigido pelo historiador José Carlos Heinemann. A obra ultrapassou as fronteiras de Ibirubá. Em 2006, integrou a Mostra Gaúcha do Festival de Gramado e, posteriormente, foi exibida em eventos dedicados à cultura pomerana, entre eles o Pommercine, no Espírito Santo. Um registro publicado em 2023 atribui ao próprio Heinemann a informação de que a produção já havia sido assistida por mais de 120 mil pessoas, inclusive em comunidades do Uruguai e da Argentina.

No centro da narrativa está Edgar Gabe, descendente das famílias pomeranas que chegaram à então Colônia General Osório. A produção conseguiu entrar em um ambiente que durante décadas permaneceu praticamente fechado à comunidade: a propriedade da família Gabe, preservando objetos, documentos, costumes e uma forma de vida marcada pelo isolamento.

Diante da câmera, Edgar transforma a história escrita em memória falada. Recorda o trabalho das irmãs com o gado, a produção de manteiga, a lavoura, a severidade do pai, as tentativas de aprender violino e até as dificuldades nos bailes da juventude.

Há também lembranças de períodos difíceis. Edgar relata a perseguição às famílias de origem alemã durante a Segunda Guerra Mundial e conta que o pai chegou a ser preso por causa de livros em alemão pertencentes à comunidade evangélica.

Outro registro de grande valor histórico está na ligação da família com a Cooperativa Agrícola Mista General Osório, atual Cotribá. Helmut Gabe, pai de Edgar, esteve ligado à fundação da cooperativa em 1911, e a família conservava documentos como a relação dos 87 fundadores e registros utilizados por Helmut em seu trabalho.

O filme também preservou costumes dos primeiros pomeranos: os casamentos, o convidador que percorria as famílias no lugar dos convites impressos, os antigos trajes e a tradição de quebrar pratos como sinal de prosperidade.

O próprio Heinemann voltaria a falar sobre o personagem alguns anos depois. Em entrevista à IHU On-Line, em 2008, ao recordar o documentário, destacou a mensagem que ouviu de Edgar quando perguntou o que ele gostaria de deixar para a comunidade. A resposta foi curta: “Acreditar em Deus e ser honesto.”

É uma das cenas que ajudam a compreender a permanência da obra.

Em 2005, aquelas pessoas estavam contando suas lembranças. Em 2026, suas próprias vozes, gestos e silêncios já são história.

Talvez por isso rever Da Pomerânia a Ibirubá tenha um significado diferente hoje. Para os mais antigos, é reencontro. Para filhos e netos, é descoberta. E para Ibirubá, é a oportunidade de perceber que alguém teve, há mais de 20 anos, a sensibilidade de ligar uma câmera enquanto aquelas histórias ainda podiam ser contadas por quem as viveu.

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