12 de Junho, 2026 09h06mcooperativismo por JORNALISTA CRISTIANO LOPES

Ex-funcionários cobram respostas sobre rescisões e relatam falta de informações na Cotribá

Comissão formada por trabalhadores desligados questiona indefinição dos pagamentos

Mais de dois meses após uma série de demissões promovidas pela Cotribá, ex-funcionários seguem sem respostas objetivas sobre quando receberão suas verbas rescisórias. Embora a cooperativa confirme a existência de negociações com o sindicato da categoria, trabalhadores, dirigentes sindicais e a própria direção apresentam informações incompletas sobre os termos da proposta, os prazos de pagamento e até mesmo o número de pessoas atingidas.

A situação levou trabalhadores desligados a criar uma comissão própria para buscar esclarecimentos. Um dos integrantes do grupo, Lauro Campos, afirma que cerca de 80 ex-funcionários participam atualmente das discussões, reunindo pessoas de diferentes unidades da área de atuação da cooperativa, tanto no Alto Jacuí quanto na Metade Sul do Estado.
Segundo Campos, a mobilização surgiu diante da dificuldade em obter informações concretas sobre os pagamentos.
“Fica um empurrando para o outro. Dizem que a proposta foi para o sindicato, mas quando a gente procura informação ninguém sabe dizer exatamente o que está acontecendo”, afirmou.
De acordo com ele, representantes da comissão conseguiram uma reunião com integrantes da cooperativa após insistentes tentativas de diálogo. No encontro, teria sido apresentada uma proposta preliminar envolvendo o pagamento das verbas rescisórias, mas sem definições formais que pudessem ser repassadas aos trabalhadores.

Durante a apuração, a reportagem ouviu a presidente do Sindicato Intermunicipal dos Trabalhadores em Cooperativas de Produção Agrícola do Rio Grande do Sul (Sinecoop/RS), Maria Vitória Pretto. Ela confirmou que existem negociações em andamento, mas ressaltou que ainda não há acordo fechado.
“O acordo não está pronto ainda. Existem negociações, mas nada está definido porque será necessária uma assembleia com os trabalhadores”, explicou.
O vice-presidente da entidade, Licério Maldaner, que trabalha há 41 anos na cooperativa, também confirmou as tratativas, mas admitiu não possuir informações concretas sobre datas ou garantias de pagamento.
“Tu acha que foi fácil para mim assinar a rescisão de gente que trabalhou 40 anos comigo? A gente recebe ligação de pessoas precisando pagar aluguel, precisando comprar as coisas para casa. Nós sabemos da situação deles”, relatou.

Questionada pela reportagem, a Cotribá encaminhou resposta por meio de sua assessoria de imprensa. Na nota, a cooperativa informou que negocia o pagamento das rescisões trabalhistas com o sindicato da categoria e que propõe o pagamento imediato de parte das rescisões de menor valor, além da negociação para parcelamento das demais. Ainda conforme a nota, devido às “dívidas consideráveis deixadas pela administração anterior”, a atual gestão, no cargo há apenas 90 dias, propõe pagamento imediato de 49% das rescisões de menor valor e negocia a quitação das demais em 24 parcelas mensais. “A cooperativa, ciente de seu relevante papel social e econômico na região, se esmera para solucionar a questão de forma satisfatória para todas as partes no menor prazo possível”, afirma a nota. 
Entretanto, a cooperativa não respondeu aos questionamentos encaminhados pela reportagem sobre o número de trabalhadores desligados desde o início da reestruturação, quantos ainda aguardam pagamento, os valores envolvidos, os prazos previstos para quitação das verbas rescisórias, quando a proposta foi apresentada ao sindicato, se existe previsão para homologação de acordo coletivo e se os números apresentados pelos trabalhadores correspondem à realidade da negociação. A cooperativa chegou a ter em torno de 1500 funcionários, e atualmente menos de 600 colaboradores estão trabalhando. 
Enquanto as negociações seguem sem uma definição pública e sem data para eventual assembleia dos trabalhadores, centenas de famílias continuam aguardando respostas sobre quando e de que forma receberão direitos trabalhistas decorrentes dos desligamentos.

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