Ibirubá, 25 de Outubro de 2026
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Associação TEAmo luta por visibilidade, acolhimento e políticas públicas em favor dos autistas

Realizado também, o convite para a Caminhada do Autismo e a todos se vestir azul em Ibirubá

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Redação Integrada Rádio Cidade de Ibirubá e Jornal O Alto Jacuí

Associação TEAmo luta por visibilidade, acolhimento e políticas públicas em favor dos autistas

A cada 36 crianças que nascem no mundo, uma está dentro do espectro autista. Apesar dessa estatística do Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC), o Brasil ainda não possui dados oficiais precisos sobre a população autista. Essa ausência de números concretos é uma das maiores dificuldades enfrentadas por pais e mães, como relata Cátia Baron, presidente da Associação TEAmo, entidade que atua na organização de famílias de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) em Ibirubá.

Inicialmente como um grupo de apoio em 2019, o coletivo teve seu trabalho interrompido durante a pandemia, mas foi retomado em 2023 com reuniões mensais. A necessidade de estrutura e representatividade levou à fundação da associação, que está em processo final de legalização com estatuto pronto, diretoria formada e o CNPJ prestes a ser emitido. "Queremos ter força perante a sociedade, buscar políticas públicas reais e garantir direitos às crianças com TEA", explica Cátia.
Ela compartilha que, atualmente, o grupo no WhatsApp da TEAmo reúne cerca de 80 pessoas, sendo aproximadamente 40 famílias ativamente engajadas. A maior dificuldade, segundo ela, está em obter diagnósticos atualizados. “É por meio das carteirinhas do TEA, feitas na FADERS, que conseguimos apresentar demandas concretas ao poder público. Sem isso, não há como pleitear leis específicas ou ampliação nos atendimentos”.
Além da burocracia, outro obstáculo é a desinformação. Cátia relata que muitos pais ainda hesitam em buscar ajuda por medo do preconceito ou por acharem que o comportamento diferente dos filhos é “birra”. Ela lembra que seu filho, Bernardo, teve sinais precoces e foi diagnosticado após um ano de acompanhamento multidisciplinar. “A dúvida existe, mas quanto antes buscarmos ajuda, melhor. Mesmo que o diagnóstico não se confirme, não será tempo perdido — será um cuidado a mais”.
A associação também tem trabalhado para melhorar o acesso ao atendimento público. Cátia reconhece que Ibirubá já oferece algumas terapias, mas que a oferta está aquém da necessidade. “Uma sessão de 30 minutos por semana não é suficiente para muitas crianças. Sabemos que não é fácil para o município, mas os pais também estão fazendo sua parte ao atualizar os laudos e apresentar as reais demandas”, destaca.
Na área da educação, a luta é por monitoras preparadas para atender crianças autistas na rede municipal. Uma formação para profissionais já foi anunciada pela Secretaria Municipal de Educação. "O olhar sensível de um profissional pode mudar o dia de uma criança. Nem sempCriadore é preciso uma monitora exclusiva, mas sim alguém capacitado para compreender", afirma.
Cátia ainda ressaltou a importância de agentes de saúde como elo entre as famílias e a associação. “Muitas mães não conseguem sair de casa. Às vezes, só precisam de uma orientação, um caminho. A gente está aqui pra isso”.
A associação TEAmo, mesmo ainda sem CNPJ oficial, sobrevive com ajuda voluntária e doações diretas aos fornecedores. O apoio da Câmara de Vereadores na última sessão pública, com promessas de ajuda institucional, fortaleceu ainda mais o movimento. A partir da legalização, a entidade poderá buscar emendas impositivas e projetos oficiais.
O mês de abril, marcado mundialmente como o mês da conscientização sobre o autismo, terá uma programação especial em Ibirubá. No dia 2 de abril, será realizada a Caminhada do Autismo, com saída às 9h da manhã da Praça General Osório. O convite é para que toda a comunidade se una à causa vestindo azul.
“A caminhada é para ser vista. É para que todos saibam que o autismo existe, está entre nós, e que precisa ser acolhido com respeito. Quanto mais gente vestindo azul, mais força a gente ganha como sociedade”, declarou Cátia.
Além disso, a campanha #AZULemCasa estimula que famílias tirem fotos vestidas de azul e postem nas redes sociais com as hashtags:

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