24 de Abril, 2026 10h04mSABATINA POLÍTICA por JORNALISTA CRISTIANO LOPES

Pré-candidatos ao Piratini regionalizam debate sobre vários temas envolvendo o Alto Jacuí

Nas duas entrevistas, ficou evidente que a corrida eleitoral começava a se desenhar em torno de temas já conhecidos da população

Em entrevistas distintas, Mateus Wesp e Mário Roberto Utzig Filho apresentaram pré-candidaturas a deputado estadual e defenderam mais força política para a região, ao mesmo tempo em que foram cobrados sobre estradas, Corsan/Aegea e os gargalos históricos do Alto Jacuí.

Em um momento de pré-campanha que já movimentava o debate político no Alto Jacuí, dois nomes colocados para a disputa de uma vaga na Assembleia Legislativa passaram por sabatinas com foco nos principais problemas da região. De um lado, o ex-deputado estadual e atual assessor especial do governador Eduardo Leite, Mateus Wesp, pré-candidato pelo PSD. De outro, o ex-prefeito de Santa Bárbara do Sul por quatro mandatos, Mário Roberto Utzig Filho, agora pré-candidato pelo NOVO após deixar o Progressistas.

Embora com trajetórias e posicionamentos distintos, os dois convergiram em um ponto central: a avaliação de que a região sofre com baixa representatividade política e, por consequência, perde força na disputa por investimentos estratégicos.

Mateus Wesp, ao apresentar sua trajetória, afirmou que decidiu ingressar na política por entender que poderia colocar sua formação jurídica a serviço da vida pública. “Eu sou de uma família cristã. Aprendi dentro de casa que a gente deve sempre se doar ao próximo”, disse. “Nós temos muitos bons juízes, muitos bons promotores, muitos bons advogados, mas nós não tínhamos, e às vezes vejo que ainda não temos, muitos bons políticos com uma boa formação jurídica.”

Já Mário Filho resgatou sua caminhada como gestor municipal, produtor rural e ex-presidente da Amaja para justificar a entrada na disputa estadual. “Poderia ficar em casa, seria muito mais fácil, mais cômodo, mas me coloquei à disposição porque acredito que, enquanto nós deixarmos pessoas que nós criticamos ocuparem os lugares, nós vamos ficar somente no discurso”, afirmou. “Eu quero participar ativamente, como também fiz como prefeito, não somente criticar, mas fazer.”

A pauta da infraestrutura regional dominou boa parte das duas entrevistas. Tanto Wesp quanto Mário Filho foram provocados a falar sobre a lentidão das obras em rodovias consideradas estratégicas para o Alto Jacuí, como a ERS-506, a ERS-510 em Fortaleza dos Valos e a 451, ligação entre Não-Me-Toque e Colorado.

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Wesp reconheceu que a visita à região “estava um pouquinho atrasada”, mas procurou associar sua passagem anterior pelo Parlamento gaúcho ao avanço do projeto da ERS-506. “Essa renúncia de receita que possibilitou o asfalto da 506 foi colocada no orçamento por mim como deputado estadual”, afirmou, defendendo que a região perdeu espaço nos últimos anos justamente por não manter representação suficiente na Assembleia. “Nós não temos representação suficiente na nossa região. Se nós somos 21% da economia do Estado, nós não somos 10% da representação política.”

Mário Filho, por sua vez, adotou um tom mais duro em relação à condução do processo. Ao recordar o histórico da rodovia entre Santa Bárbara do Sul e Ibirubá, disse que houve frustração com promessas feitas ao longo dos anos. “Ficou boa a foto, né?”, ironizou, ao lembrar atos e anúncios envolvendo a obra. Em seguida, foi direto: “Nós fomos mais uma vez enganados. Foi feito para tirar proveito eleitoral.” Para ele, a morosidade da ERS-506 e de outras ligações regionais continua impondo prejuízos ao produtor e limitando o desenvolvimento econômico local.

Outro ponto de forte cobrança nas sabatinas foi a situação da Corsan/Aegea. Questionado sobre seu apoio à privatização da estatal, Wesp sustentou que a desestatização foi uma resposta ao quadro de falta de investimentos no saneamento. “A solução pela privatização não é equivocada pelas razões que eu te dei, porque a solução da estatização não era uma solução”, argumentou. Ao mesmo tempo, admitiu problemas na prestação do serviço. “O serviço está sendo bem prestado? Não. Tem que melhorar, tem que ser cobrado e fiscalizado.”

Mário Filho também fez críticas ao cenário atual, embora tenha reafirmado ser favorável, em tese, a concessões e terceirizações quando elas são eficientes. Para ele, o problema esteve na forma como o processo foi conduzido e, principalmente, na ausência de controle posterior. “Tem que haver cobrança”, afirmou. O ex-prefeito relatou dificuldades de acesso à empresa e considerou abusivas algumas cobranças registradas após a privatização. “Nós temos que continuar nesse movimento contra a Corsan/Aegea”, disse.

Ao final das sabatinas, os dois pré-candidatos buscaram reforçar compromissos com a região. Wesp sustentou que o Alto Jacuí precisa pensar de forma mais integrada e deixar de agir apenas por município. “É uma só região”, resumiu. Já Mário Filho afirmou que pretende levar para a Assembleia uma atuação voltada às necessidades concretas dos municípios do interior. “Quero inverter essa lógica”, declarou, ao defender que as soluções não venham “goela abaixo” de Porto Alegre.

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