
No dia 25 de abril, Ibirubá recebe a primeira Procissão de Ogum, com saída às 19h30 da Praça General Osório. A caminhada seguirá até o bairro Progresso, onde haverá feijoada beneficente e gira de Umbanda aberta ao público.
Uma manifestação de fé que, até então, permanecia mais restrita aos espaços internos das casas religiosas vai ganhar as ruas de Ibirubá. A primeira Procissão de Ogum no município propõe justamente isso: tornar visível uma prática presente no cotidiano, mas ainda pouco compreendida por parte da comunidade.
A iniciativa é organizada pela mãe de santo Tatiane de Oyá, que vê no evento uma oportunidade de aproximação com o público e de combate direto à intolerância religiosa.
“Independente de religião, a fé é o que move todos nós. A gente está organizando tudo com muito carinho e espera receber pessoas daqui e também de outras cidades”, afirma.
A caminhada partirá da Praça General Osório e seguirá até o Mariazinha Eventos, no bairro Progresso, em um trajeto considerado longo pelos próprios organizadores. Durante o percurso, a procissão contará com elementos tradicionais como a imagem de Ogum, velas, espadas de São Jorge, pontos cantados e defumação.
Estão previstas paradas ao longo do trajeto para orações, pedidos e homenagens.
“Vai ser um ato de fé mesmo. A gente quer que as pessoas participem, se sintam bem e possam fazer seus pedidos com respeito”, explica Tatiane de Oyá.
A programação segue após a chegada com uma feijoada beneficente e uma gira de Umbanda aberta ao público — um dos pontos que a organização destaca como forma de quebrar barreiras e aproximar quem ainda não conhece a religião.
“Depois da procissão, todo mundo está convidado. Pode ir, conhecer, tomar um passe. Não precisa ser da religião para participar”, reforça.
A expectativa é de um público diverso, incluindo praticantes, simpatizantes e visitantes de outras cidades. Lideranças religiosas também devem estar presentes, entre elas o pai de santo de Tatiane, que virá de Porto Alegre, além de integrantes de casas de Santa Maria.
Para a organizadora, o evento também reflete uma mudança interna nas próprias casas religiosas, que têm buscado maior organização e reconhecimento. “Hoje a gente tem nossa casa legalizada, com CNPJ e estrutura. Isso ajuda a gente a crescer e também a ser mais respeitado”, afirma.
A feijoada realizada durante o evento terá renda revertida para melhorias no espaço. “É para reformar a casa e continuar atendendo melhor as pessoas que procuram a gente”, explica.
Tatiane também destaca o trabalho cotidiano realizado, muitas vezes de forma silenciosa.
“A gente atende pessoas todos os dias, gente que chega com problemas, com dor, buscando ajuda. E isso é feito com respeito, com sigilo”, diz.
Ao levar a procissão para as ruas, a proposta é justamente ampliar esse entendimento e reduzir preconceitos ainda existentes.





















