Ibirubá, 07 de Novembro de 2026
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Rádio Cidade Ibirubá

Agricultura de Quinze de Novembro enfrenta ciclo desafiador e exige novas estratégias no campo

Custos elevados, instabilidade climática e sucessão rural pressionam produtores

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Jardel Schemmer- Repórter Rádio Cidade 104.9

Agricultura de Quinze de Novembro enfrenta ciclo desafiador e exige novas estratégias no campo

A agricultura de Quinze de Novembro atravessa um dos períodos mais complexos das últimas décadas, marcada por cinco anos consecutivos de instabilidades climáticas, elevação expressiva dos custos de produção e margens cada vez mais estreitas, especialmente na soja, principal cultura do município. A análise é da extensionista da Emater/RS-Ascar, Aline Franken Deutsch, que acompanha de perto a realidade das propriedades rurais e aponta a necessidade de repensar o modelo produtivo para garantir a permanência das famílias no campo.
Segundo Aline, o custo da soja hoje se aproxima de 50 sacas por hectare apenas em insumos, sem considerar remuneração do produtor, depreciação de máquinas e investimentos estruturais. Com uma produtividade média histórica entre 60 e 65 sacas por hectare no município, a margem se torna mínima e altamente dependente do clima e do preço de mercado. “É um cenário que deixa o produtor muito exposto. Mesmo em anos com boa safra, existe um acúmulo de dívidas de períodos anteriores que impede um verdadeiro alívio financeiro”, observa.
A extensionista explica que, apesar de uma perspectiva positiva para a atual safra, com boa distribuição de chuvas e menor pressão de doenças como a ferrugem asiática, a recuperação não ocorre de forma imediata. “São cinco anos de perdas sucessivas. Se havia alguma reserva, ela já foi consumida. Este ano pode trazer fôlego, mas não resolve tudo”, avalia.
Dentro desse contexto, Aline destaca que a dependência da monocultura se tornou um risco estrutural. Embora o leite siga como atividade importante, sobretudo na agricultura familiar, também enfrenta dificuldades relacionadas a preço, custo e mão de obra. A diversificação produtiva aparece como alternativa, mas não sem obstáculos. Culturas como feijão, canola, milho e hortaliças já demonstraram potencial, porém esbarram em fatores como volatilidade de preços, exigência de mão de obra, infraestrutura e assistência técnica especializada.
No último ano, por exemplo, o feijão chegou a alcançar valores próximos de R$ 300 por saca, estimulando o plantio, mas acabou sofrendo queda brusca de preço e perdas na colheita devido ao excesso de chuvas. A canola, que já ocupou quase mil hectares no município, também reduziu área após problemas de custo e sanidade. “O produtor observa, testa e aprende, mas precisa de segurança para investir”, ressalta.
Outro desafio estrutural apontado é o envelhecimento da população rural e a dificuldade de sucessão familiar. Com menos jovens permanecendo no campo, atividades que demandam mais mão de obra se tornam inviáveis. Programas específicos para juventude rural surgem como estímulo, ainda que com recursos limitados. Aline relata experiências positivas com projetos voltados a jovens agricultores e pescadores, que demonstram criatividade e visão empreendedora quando têm oportunidade.
A armazenagem de grãos também ganha relevância em meio à instabilidade de cooperativas e cerealistas. O investimento em silos secadores na propriedade, com linhas de crédito de juros baixos, é visto como uma estratégia para dar autonomia ao produtor, permitindo vender no melhor momento e reduzir riscos de comercialização.
No campo do manejo, o Programa Terra Forte surge como um marco ao colocar o solo no centro da discussão. Compactação, baixa matéria orgânica e falta de palhada comprometem a resiliência das lavouras, especialmente em períodos de estiagem ou excesso de chuva. “O recurso não faz milagre. Ele provoca reflexão e planejamento. Melhorar o solo é um processo de longo prazo”, finaliza.

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