10 de Julho, 2026 09h07mEntrevista por JORNALISTA CRISTIANO LOPES

Diagnóstico precoce faz a diferença no desenvolvimento infantil

Especialista destaca o papel da terapia ABA, da família e da escola para ampliar o potencial de aprendizagem e inclusão de crianças

Neuropsicopedagoga Monaliza Dourado Fiúza explica como a Análise do Comportamento Aplicada (ABA) auxilia no desenvolvimento de pessoas com autismo e alerta para os riscos dos diagnósticos precipitados.


O crescimento da procura por avaliações relacionadas ao Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e Dislexia tem despertado dúvidas entre pais e educadores. Em entrevista, a neuropsicopedagoga e psicopedagoga Monaliza Dourado Fiúza destacou que o diagnóstico deve ser realizado por profissionais habilitados, com observação criteriosa, evitando conclusões precipitadas que podem comprometer o desenvolvimento da criança.
Segundo ela, nem todo comportamento diferente representa um transtorno. Crianças tímidas ou com maior dificuldade de adaptação a novos ambientes podem apresentar características compatíveis com o desenvolvimento esperado para a idade. "A gente tem que ter muito cuidado antes de avaliar ou dar um diagnóstico para uma criança dizendo que ela é autista ou que tem TDAH. Não é uma coisa do dia para a noite. Você tem que avaliar, observar e conhecer esse aluno", afirmou.

Monaliza explicou ainda a importância da Análise do Comportamento Aplicada (ABA), metodologia amplamente utilizada no atendimento de pessoas com TEA. Conforme a especialista, o trabalho não se limita ao ambiente clínico, mas envolve toda a rotina da criança e de sua família.

"O trabalho começa na clínica e termina dentro da casa do paciente, porque você vai trabalhar rotinas e também a família."

Para a psicopedagoga, o envolvimento familiar é um dos pilares do tratamento. "Às vezes a gente descobre que a dificuldade também está na família. Então chamamos os pais, conversamos e começamos a trabalhar com eles para depois chegar ao aluno. A orientação familiar é muito importante."

Publicidade

Ela também ressaltou a responsabilidade da escola na identificação de possíveis dificuldades, sempre respeitando os limites da atuação pedagógica. "O professor precisa observar, mas não pode dizer que um aluno é autista. Isso exige avaliação profissional."
Monaliza defende uma atuação integrada entre escola, família e equipe multiprofissional, valorizando as habilidades individuais de cada estudante.

"Tenho aluno autista que é excelente em matemática e tem dificuldade na leitura. Também vejo crianças que fazem desenhos incríveis. A escola precisa olhar para aquilo que o aluno sabe fazer."

Sobre o TDAH, a especialista observa que muitos adultos buscam atendimento apenas anos depois de enfrentarem dificuldades de concentração e organização.

Para ela, o diagnóstico precoce e o acompanhamento adequado reduzem impactos na vida escolar, profissional e social. "Se essa criança não for acompanhada, ela pode ter dificuldades para trabalhar, formar uma família e viver em sociedade", conclui

Publicidade

Notícias relacionadas

Comunidade acreditou no projeto e transformou a Rádio Cidade em realidade e audiência

Especial pelos 15 anos da emissora reuniu um de seus idealizadores e o atual diretor para resgatar a história de um projeto construído pela comunidade.

10 de Julho, 2026

Da vocação à liderança no cuidado: a trajetória e os desafios de quem vive a enfermagem

Entre plantões, perdas e nascimentos, a enfermagem que sustenta a vida

22 de Maio, 2026

Prefeita anuncia a construção da maior escola infantil de Ibirubá, junto ao bairro Planalto

Maior investimento já destinado à educação infantil em Ibirubá lidera um conjunto de obras que reforça o crescimento de uma das regiões que mais se desenvolvem no município.

26 de Junho, 2026