24 de Abril, 2026 09h04mEmpreendedorismo por JORNALISTA CRISTIANO LOPES

Empreender, recomeçar: a força de uma mulher que reinventou o próprio caminho em Ibirubá

Em uma cidade onde empreender exige coragem diária, uma mulher tem chamado atenção pela capacidade de recomeçar

Chegar a uma cidade nova para construir carreira, empreender em diferentes segmentos e, ao mesmo tempo, aprender a reorganizar prioridades com a maternidade são capítulos que ajudam a explicar a trajetória de Francieli Hochmuller, a Fran. Natural de Cruz Alta, ela se estabeleceu em Ibirubá há cerca de 13 anos e, desde então, vem escrevendo uma história marcada por coragem, adaptação e olhar empreendedor.

Foi a partir da odontologia que começou a relação com o município. “Tudo começou quando eu e a minha colega viemos fazer uma pesquisa de campo sobre uma clínica odontológica aqui. A gente se instalou e fui construindo minha história em Ibirubá”, relembrou. Em um período em que o setor ainda apresentava pouca concorrência, ela encontrou espaço para crescer, consolidar o consultório e criar vínculos com a comunidade.

Mas o empreendedorismo, segundo Fran, não surgiu ali. Vem de muito antes. “Eu trabalho com vendas desde os meus 14 anos. Minha família sempre teve esse lado empreendedor”, contou. A influência familiar e o gosto por criar oportunidades sempre estiveram presentes, inclusive quando a atuação profissional na saúde já estava estabilizada.

Mesmo com a clínica estruturada, havia um desejo antigo de investir em outra paixão. “Eu sempre gostei do ramo da cozinha”, afirmou. Foi desse interesse que nasceu a experiência com a sorveteria, empreendimento que surgiu quando apareceu a oportunidade de ocupar uma sala ao lado da clínica odontológica.

Durante mais de dois anos, Fran conciliou os dois negócios em uma rotina intensa. Entre atendimentos, gestão e responsabilidades pessoais, veio a percepção de que seria preciso rever caminhos. “Eu teria três coisas para cuidar: meu filho, a clínica e a sorveteria. Chegou um momento em que eu percebi que estava faltando tempo para aquilo que mais importava”, relatou.

A decisão de encerrar a sorveteria, segundo ela, foi uma escolha difícil, mas necessária. Mais do que fechar um ciclo, foi uma redefinição de prioridades. A maternidade, nesse momento, teve peso decisivo.

E foi justamente dessa mudança que surgiu um novo modelo de negócio. O trabalho com crepes, que antes já fazia parte de sua rotina de forma pontual, ganhou nova dimensão. “Eu já fazia crepe, mas foi quando me incentivaram a levar isso para eventos que comecei a olhar para esse serviço de outra forma”, explicou.

A atuação em festas privadas e eventos trouxe uma alternativa mais flexível e alinhada à vida familiar. “Os eventos geralmente acontecem à noite ou no fim de semana, então consigo conciliar com a clínica”, destacou.

No novo empreendimento, Fran diz que o diferencial está na forma como conduz cada detalhe do serviço. “Eu sou muito criteriosa. Tudo é preparado com carinho, com higiene, com qualidade. Não gosto de fazer algo de qualquer jeito”, afirmou.

Publicidade

Essa atenção aparece também na personalização do atendimento. “Eu adapto conforme o cliente precisa. Se a criança quer algo simples, eu faço. Eu penso como mãe também”, disse, revelando que a experiência pessoal influencia diretamente a maneira como trabalha.

A empresária reconhece que crescer é um desejo, mas sem abrir mão da essência que construiu. “Penso em crescer, mas sem perder a qualidade. Isso é o mais importante para mim”, ressaltou.

Ao falar do empreendedorismo, Fran não romantiza o percurso. Reconhece as incertezas, os riscos e a ausência de suporte para quem decide empreender. “Empreender é viver numa corda bamba. A gente nunca sabe o que espera amanhã. Falta apoio, falta incentivo”, observou.

Ainda assim, a disposição para seguir construindo permanece sustentada por valores que ela considera centrais. “Eu sou muito grata à minha família, porque sempre me apoiaram”, afirmou.

Entre consultório, eventos, decisões difíceis e recomeços, a trajetória de Francieli Hochmuller revela mais do que múltiplos negócios. Mostra a capacidade de ler o momento certo para mudar de rota, adaptar sonhos à realidade e seguir em frente sem perder identidade. Uma história em que empreender nunca significou apenas abrir portas, mas também saber quando transformar caminhos.

 
 
 

Publicidade

Notícias relacionadas

Mais do que uma faixa, Raissa quer levar o nome de Ibirubá para toda a região

Senhorita Turismo destaca aprendizado proporcionado pelo concurso e afirma que representar o município é uma oportunidade de divulgar as potencialidades da região.

10 de Julho, 2026

De aluno a professor: Kelwin Fernandes inspira uma nova geração de músicos em Ibirubá

A experiência de quem cresceu dentro do projeto agora serve de inspiração para novos alunos

10 de Julho, 2026

Das quadras para a vida: como o futsal uniu Simone Barbosa e Lisi Santos em uma história de amor

Ao longo de dez anos juntas, elas construíram uma trajetória marcada por respeito, cumplicidade e superação.

12 de Junho, 2026