Ibirubá, 22 de Outubro de 2026
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Empreender, recomeçar: a força de uma mulher que reinventou o próprio caminho em Ibirubá

Em uma cidade onde empreender exige coragem diária, uma mulher tem chamado atenção pela capacidade de recomeçar

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JORNALISTA CRISTIANO LOPES

Empreender, recomeçar: a força de uma mulher que reinventou o próprio caminho em Ibirubá

Chegar a uma cidade nova para construir carreira, empreender em diferentes segmentos e, ao mesmo tempo, aprender a reorganizar prioridades com a maternidade são capítulos que ajudam a explicar a trajetória de Francieli Hochmuller, a Fran. Natural de Cruz Alta, ela se estabeleceu em Ibirubá há cerca de 13 anos e, desde então, vem escrevendo uma história marcada por coragem, adaptação e olhar empreendedor.

Foi a partir da odontologia que começou a relação com o município. “Tudo começou quando eu e a minha colega viemos fazer uma pesquisa de campo sobre uma clínica odontológica aqui. A gente se instalou e fui construindo minha história em Ibirubá”, relembrou. Em um período em que o setor ainda apresentava pouca concorrência, ela encontrou espaço para crescer, consolidar o consultório e criar vínculos com a comunidade.

Mas o empreendedorismo, segundo Fran, não surgiu ali. Vem de muito antes. “Eu trabalho com vendas desde os meus 14 anos. Minha família sempre teve esse lado empreendedor”, contou. A influência familiar e o gosto por criar oportunidades sempre estiveram presentes, inclusive quando a atuação profissional na saúde já estava estabilizada.

Mesmo com a clínica estruturada, havia um desejo antigo de investir em outra paixão. “Eu sempre gostei do ramo da cozinha”, afirmou. Foi desse interesse que nasceu a experiência com a sorveteria, empreendimento que surgiu quando apareceu a oportunidade de ocupar uma sala ao lado da clínica odontológica.

Durante mais de dois anos, Fran conciliou os dois negócios em uma rotina intensa. Entre atendimentos, gestão e responsabilidades pessoais, veio a percepção de que seria preciso rever caminhos. “Eu teria três coisas para cuidar: meu filho, a clínica e a sorveteria. Chegou um momento em que eu percebi que estava faltando tempo para aquilo que mais importava”, relatou.

A decisão de encerrar a sorveteria, segundo ela, foi uma escolha difícil, mas necessária. Mais do que fechar um ciclo, foi uma redefinição de prioridades. A maternidade, nesse momento, teve peso decisivo.

E foi justamente dessa mudança que surgiu um novo modelo de negócio. O trabalho com crepes, que antes já fazia parte de sua rotina de forma pontual, ganhou nova dimensão. “Eu já fazia crepe, mas foi quando me incentivaram a levar isso para eventos que comecei a olhar para esse serviço de outra forma”, explicou.

A atuação em festas privadas e eventos trouxe uma alternativa mais flexível e alinhada à vida familiar. “Os eventos geralmente acontecem à noite ou no fim de semana, então consigo conciliar com a clínica”, destacou.

No novo empreendimento, Fran diz que o diferencial está na forma como conduz cada detalhe do serviço. “Eu sou muito criteriosa. Tudo é preparado com carinho, com higiene, com qualidade. Não gosto de fazer algo de qualquer jeito”, afirmou.

Essa atenção aparece também na personalização do atendimento. “Eu adapto conforme o cliente precisa. Se a criança quer algo simples, eu faço. Eu penso como mãe também”, disse, revelando que a experiência pessoal influencia diretamente a maneira como trabalha.

A empresária reconhece que crescer é um desejo, mas sem abrir mão da essência que construiu. “Penso em crescer, mas sem perder a qualidade. Isso é o mais importante para mim”, ressaltou.

Ao falar do empreendedorismo, Fran não romantiza o percurso. Reconhece as incertezas, os riscos e a ausência de suporte para quem decide empreender. “Empreender é viver numa corda bamba. A gente nunca sabe o que espera amanhã. Falta apoio, falta incentivo”, observou.

Ainda assim, a disposição para seguir construindo permanece sustentada por valores que ela considera centrais. “Eu sou muito grata à minha família, porque sempre me apoiaram”, afirmou.

Entre consultório, eventos, decisões difíceis e recomeços, a trajetória de Francieli Hochmuller revela mais do que múltiplos negócios. Mostra a capacidade de ler o momento certo para mudar de rota, adaptar sonhos à realidade e seguir em frente sem perder identidade. Uma história em que empreender nunca significou apenas abrir portas, mas também saber quando transformar caminhos.

 
 
 
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