
Entre a saúde, a alimentação e os desafios da maternidade, empresária construiu uma trajetória marcada por coragem, trabalho e capacidade de adaptação
Natural de Cruz Alta, ela chegou ao município há cerca de 13 anos para atuar no ramo odontológico. “Tudo começou quando eu e a minha colega viemos fazer uma pesquisa de campo sobre uma clínica odontológica aqui. A gente se instalou e fui construindo minha história em Ibirubá”, relatou. Na época, o segmento ainda tinha pouca concorrência, o que abriu espaço para crescimento e consolidação.
O espírito empreendedor, segundo ela, vem de casa. “Eu trabalho com vendas desde os meus 14 anos. Minha família sempre teve esse lado empreendedor”, afirmou, ao destacar a influência de parentes que já atuavam com negócios próprios. Mesmo estabilizada na área da saúde, o desejo de investir em algo diferente permaneceu. “Eu sempre gostei do ramo da cozinha”, disse, ao lembrar do sonho que deu origem à sorveteria.
A abertura do novo negócio aconteceu quando surgiu a oportunidade de ocupar uma sala ao lado da clínica. Durante mais de dois anos, ela conciliou as duas atividades, até perceber o impacto na rotina pessoal. “Eu teria três coisas para cuidar: meu filho, a clínica e a sorveteria. Chegou um momento em que eu percebi que estava faltando tempo para aquilo que mais importava”, contou. A decisão de encerrar a sorveteria veio, principalmente, pela necessidade de estar mais presente na vida do filho.
A partir dessa mudança, surgiu um novo caminho. “Eu já fazia crepe, mas foi quando me incentivaram a levar isso para eventos que comecei a olhar para esse serviço de outra forma”, explicou. A proposta de atuar em festas privadas e eventos trouxe flexibilidade e permitiu reorganizar a rotina. “Os eventos geralmente acontecem à noite ou no fim de semana, então consigo conciliar com a clínica”, destacou.
O diferencial do serviço, segundo ela, está no cuidado com cada detalhe.
“Eu sou muito criteriosa. Tudo é preparado com carinho, com higiene, com qualidade. Não gosto de fazer algo de qualquer jeito”, afirmou.
A personalização também faz parte do atendimento. “Eu adapto conforme o cliente precisa. Se a criança quer algo simples, eu faço. Eu penso como mãe também”, disse.
Mesmo com a agenda crescendo, ela mantém cautela ao falar em expansão. “Penso em crescer, mas sem perder a qualidade. Isso é o mais importante para mim”, ressaltou. Ao avaliar o cenário de quem empreende, ela é direta: “Empreender é viver numa corda bamba. A gente nunca sabe o que espera amanhã. Falta apoio, falta incentivo”.
Ainda assim, a motivação permanece firme. “Eu sou muito grata à minha família, porque sempre me apoiaram”, afirmou. Entre decisões difíceis e novos começos, a trajetória mostra que empreender, para ela, nunca foi apenas abrir negócios, mas saber a hora de mudar e seguir em frente.





















