
A composição da tarifa de energia elétrica vai muito além do consumo registrado no medidor. O engenheiro eletricista da Coprel, Herton Azzolin, explicou de forma detalhada como é calculado o valor da conta de luz e quais fatores têm maior impacto sobre o bolso dos consumidores.
Segundo Azzolin, a tarifa é definida anualmente pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que considera os custos de compra de energia, transmissão, distribuição, encargos setoriais, tributos e investimentos necessários para manter o sistema elétrico em funcionamento. "Se uma conta de energia fosse de R$ 100, aproximadamente R$ 36 ficam com a distribuidora para operar, fazer manutenção, investir na rede e atender os consumidores. Os outros R$ 64 correspondem a tributos, encargos do setor elétrico, transmissão e diversos custos definidos pela regulamentação", explicou.
Um dos componentes que mais pesam atualmente são os chamados encargos setoriais, criados para financiar políticas públicas do setor elétrico.
"A tarifa social, por exemplo, beneficia milhões de consumidores de baixa renda. É uma política pública importante, mas essa conta é dividida entre os demais consumidores", afirmou.
Outro fator é o crescimento dos custos relacionados à geração distribuída, especialmente dos sistemas solares instalados antes das mudanças na legislação. "Quem instalou energia solar antes de 2022 possui regras diferentes e deixa de contribuir com parte dos encargos do sistema. Esse custo acaba sendo repartido entre os demais consumidores. Não é um problema da energia solar, que é uma fonte limpa e importante, mas da forma como a regulamentação foi construída", explicou.
Bandeiras tarifárias
Quando há redução dos níveis dos reservatórios das hidrelétricas, o sistema precisa acionar usinas termelétricas, cuja geração possui custo muito superior. "Enquanto a energia hidrelétrica custa cerca de R$ 150 a R$ 200 por megawatt-hora, a energia produzida por termelétricas pode chegar a dez vezes esse valor. Essa diferença aparece na conta de luz por meio das bandeiras tarifárias", afirmou.
Reajuste anual
O engenheiro lembrou ainda que todas as distribuidoras passam por reajustes anuais definidos pela Aneel. No caso da Coprel, o reajuste entrou em vigor no fim de julho. "Quem calcula a tarifa não é a distribuidora. É a Aneel, com base nos custos do setor", destacou.
A Coprel participou, em 2019, um leilão para aquisição de energia no mercado, iniciativa que ajudou a reduzir os custos de compra. "Nós conseguimos diminuir significativamente o custo da energia adquirida e isso contribuiu para estarmos entre as seis tarifas mais competitivas do país." Para o engenheiro, o desafio permanente das 105 distribuidoras de energia do Brasil é equilibrar investimentos, qualidade do serviço e custos regulatórios.





















