
O avanço da mecanização trouxe ganhos expressivos para a agricultura, mas também criou novos desafios para quem busca produzir mais sem comprometer o principal patrimônio da lavoura: o solo. O tema esteve no centro da entrevista com o professor e inventor Lauro Fassini, que retornou recentemente de Santarém, no Pará, onde participou de atividades técnicas e apresentou tecnologias da Agross do Brasil.
Para Fassini, conhecer as condições do solo é o primeiro passo para qualquer estratégia de aumento de produtividade. “É do solo que nós retiramos o nosso sustento. O ponto de partida é conhecermos este solo para, a partir daí, pensarmos alternativas e soluções para que a gente possa produzir mais”, afirmou.
Um dos principais problemas apontados é a compactação provocada, entre outros fatores, pelo aumento do peso das máquinas e pela intensificação do trânsito nas lavouras. Segundo Fassini, a modernização não deve ser vista como inimiga, mas exige equilíbrio. Ele lembra que o plantio direto representou uma transformação fundamental na conservação do solo, especialmente no combate à erosão, mas que novos problemas surgiram ao longo do processo.
A compactação interfere diretamente no desenvolvimento das raízes. “A raiz não tem força para criar o sistema pivotante para descer”, explicou. Com isso, o sistema radicular tende a crescer lateralmente, reduzindo o acesso da planta à água e aos nutrientes e, consequentemente, limitando o potencial produtivo.
Foi justamente buscando uma alternativa para esse problema que Fassini começou, há cerca de dez anos, a desenvolver o Vollverini, sistema de descompactação que hoje integra as tecnologias apresentadas pela Agross. A proposta é promover uma interferência mecânica equilibrada, com mínima remoção do solo e preservação da palhada. “Não podemos perder aquilo que nós já conquistamos, que foi o plantio direto”, ressaltou.
A viagem a Santarém mostrou que o problema não está restrito ao Sul. No Pará, Fassini encontrou áreas agrícolas com forte compactação durante o período seco e produtores que utilizam palhada e braquiária para proteger o solo diante das altas temperaturas. “Os desafios são muito grandes”, avaliou, defendendo investimentos permanentes em ciência, tecnologia e educação.
Para Fassini, aumentar a produtividade não significa simplesmente colocar mais máquinas ou insumos na lavoura. Significa compreender cada área, corrigir limitações e preservar a capacidade produtiva da terra. “Cuidar dos nossos solos é o grande desafio de todos nós”, resumiu.
























