Papa-Léguas celebra 20 anos de uma história construída entre motores, pistas e amizades
O Papa-Léguas chegou às duas décadas não apenas contando anos, mas colecionando histórias

Comemoração reuniu integrantes, familiares, amigos e pessoas que fizeram parte da trajetória do motoclube; diretor Maiquel Elias Schiefelbein relembrou conquistas, homenageou parceiros e destacou grandes eventos realizados em Ibirubá
Há histórias que começam com uma bandeirada. Outras, com o ronco de uma motocicleta quebrando o silêncio do interior. A do Motoclube Papa-Léguas começou em 20 de setembro de 2006, quando a paixão pelas duas rodas reuniu pessoas que talvez ainda não imaginassem quantos quilômetros percorreriam juntas. Duas décadas depois, o que nasceu em torno do motocross transformou-se também em uma história de amizade, companheirismo e famílias.
No domingo, 20 de setembro, passado e presente encontraram-se na comemoração dos 20 anos do Papa-Léguas. Os convidados começaram a ser recepcionados às 17h, em uma noite preparada para celebrar não somente as conquistas esportivas, mas principalmente aqueles que ajudaram a construí-las.
Um dos primeiros momentos especiais veio do grupo Parceiros do Asfalto, que chegou à comemoração preparando uma surpresa aos anfitriões. Representando o grupo, Izake Ruschel tomou a palavra, parabenizou o Papa-Léguas pelas duas décadas e destacou a parceria construída entre os motociclistas ao longo dos anos. O desejo deixado por ele foi simples e carregado de significado: vida longa ao Motoclube.
Depois da recepção, um churrasco foi servido aos presentes. Ao redor das mesas, as lembranças começaram a aparecer naturalmente. Histórias de corridas, viagens, motocicletas, amizades e episódios vividos durante duas décadas voltaram à conversa. Era como se cada integrante carregasse consigo um pequeno pedaço dos 20 anos que estavam sendo comemorados.
Foi então que o diretor Maiquel Elias Schiefelbein conduziu um dos momentos mais emocionantes da noite. Em seu discurso, voltou ao início da trajetória e percorreu o crescimento do Papa-Léguas, lembrando que aquilo que começou de maneira modesta ganhou estrutura e capacidade para receber competições de grande porte.
Entre essas conquistas, Maiquel recordou especialmente as três etapas do Campeonato Brasileiro de Motocross realizadas pelo grupo em Ibirubá. Para o diretor, aqueles eventos representam uma dimensão do que o Papa-Léguas conseguiu construir, classificando o Brasileiro de Motocross como o maior evento esportivo já sediado pelo município.
A retrospectiva também se transformou em agradecimento. Maiquel destacou a participação do ex-prefeito Mauri Barros Heinrich, o Lulo, lembrando sua contribuição para a construção da pista. Também reconheceu o apoio recebido, em diferentes períodos, dos ex-prefeitos Carlos Jandrey, Gustavo Roberto Schroeder e Abel Grave, além da atual prefeita Jaqueline Winsch, especialmente na realização dos eventos promovidos pelo Motoclube.
Na sequência, Sandro Covatti tomou a palavra. Ele agradeceu o convite para participar da celebração e ressaltou o empenho do poder público no apoio ao Papa-Léguas ao longo de sua caminhada, além de destacar o crescimento alcançado pelo grupo. Ao final, parabenizou os integrantes que ajudaram a transformar aquela iniciativa surgida duas décadas atrás em uma entidade reconhecida dentro e fora das pistas.
Mas uma história de 20 anos também é feita de ausências. A atual pista, localizada na Hípica, leva o nome de Jardel Doneda Pires, integrante que deixou sua marca na trajetória do grupo e cuja memória permanece ligada ao Papa-Léguas. É uma homenagem que faz com que seu nome continue presente justamente onde tantas histórias foram escritas.
Entre aplausos e lágrimas, os discursos terminaram. A comemoração, porém, continuou. Amigos permaneceram reunidos, conversando e relembrando episódios que nenhuma ata ou troféu conseguiria registrar por inteiro. Afinal, vinte anos não cabem apenas em uma lista de competições ou conquistas.
Talvez por isso quatro palavras tenham sido escolhidas para representar essa caminhada: amizade, adrenalina, liberdade e sempre.
As três primeiras explicam muito do que trouxe o Papa-Léguas até aqui. A última aponta para aquilo que ainda está por vir.
Depois de 20 anos, motocicletas mudaram, pistas foram transformadas e diferentes gerações passaram pelo grupo. Algumas pessoas continuam lado a lado; outras permanecem nas fotografias e na memória. Mas basta um motor acelerar novamente para que alguma coisa daquele 20 de setembro de 2006 volte a existir.
O Papa-Léguas chegou às duas décadas não apenas contando anos, mas colecionando histórias. E a celebração terminou como provavelmente deveria terminar a festa de um motoclube que se tornou uma família: sem pressa para ir embora, entre conversas, lembranças e amigos.






